quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Volta - Os 3 últimos dias da viagem.

Mendoza é um lugar excelente pra férias de final de ano. Nos divertimos muito e a saudade de casa chegou no tempo certo.
No primeiro de janeiro ficamos o dia todo dentro do apartamento descansando da festa e preparando as coisas pra viagem da volta. Eu e o João levamos as malas pro carro no final da tarde e deixamos tudo pronto pra zarparmos cedo. Fomos dormir com a natural ansiedade de voltar pra casa (eu particularmente rolei insone até por volta da 1 da madrugada). E entre as tentativas de pegar no sono me veio a idéia de evitarmos os policiais sangue-sugas da fronteira da Argentina. Ao acordarmos no dia 02 apresentei a idéia aos demais viajantes: Viajar de Mendoza a Uruguaiana direto (aprox. 1.400 km)! Assim passaríamos no trecho dos policiais corruptos à noite e ainda poderíamos dormir até mais tarde no sábado, já que a viagem seguiria somente até Sarandi. Aprovado por unanimidade.
Saimos na sexta-feira de manhã cedo pra atravessar a Argentina rumo ao Brasil. A viagem foi muito tranquila. Paramos várias vezes no caminho pra fazer lanche, abastecemos 2 vezes e passamos ilesos pelos guardas esfomeados por volta das 9 da noite. Chegamos na aduana de Paso de Los Libres às 11 da noite (hora do Brasil), fizemos os trâmites de forma relativamente rápida (apesar dos 2 ônibus que estavam lá) e chegamos no Hotel Glória à meia noite, com 1.400 km nas costas. Todo mundo cansado e com fome. A nossa saudosa pizzaria de Uruguaiana estava fechada e o jeito foi engolir um sanduíche (X-salada como dizem os gaúchos) e cair na cama.
Acordamos por volta das 9 da manhã, tomamos café e voltamos pro camburão. Surpresa: pneu furado !!!
Depois de retirar metade da bagagem de dentro do carro pra baixar o estepe e pegar o macaco e ferramentas, troquei o pneu e seguimos viagem.



Paramos em São Miguel das Missões pro João e pra Winnie conhecerem e seguimos pra Sarandi, com direito a city-tour pela cidade na chegada pra mostrar pro João nossa terra natal.
A chegada na casa do J. Fernando é sempre uma festa. É abraço apertado e sorriso grande toda vez que a gente chega. Nunca foi diferente.
Batemos um papo animado e fomos pra casa do João Paulo e da Paula, nossos anfitriões. O jantar tava uma delícia. O João Paulo se esmerou na cozinha, junto com a Paula e a Lila e tomamos 2 garrafas de vinho, que fecharam com chave de ouro o circuito enológico da viagem. O carinho em nos receber era evidente.
No domingo acordamos por volta das 8 horas, voltamos pra casa do tio e fui com ele providenciar o conserto do pneu pra não viajarmos sem estepe. Saimos de Sarandi às 11 da manhã, almoçamos no Bourbon em Passo Fundo e chegamos em Floripa às 8 da noite depois de uma viagem tranquila mas com um dos maiores movimentos de estrada que já vi.
Aproximadamente 7.000 km depois do primeiro dia da viagem, chegávamos de volta a Floripa. Descansados do trabalho, com o cansaço gostoso das grandes travessias e com a alegria de voltar pro melhor lugar do mundo: nossa casa.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Dia 12 - 31/12/2008

Acordamos no quarto "emprestado" pelo hotel por causa da quebra do ar condicionado e voltamos ao nosso apartamento porque os técnicos apareceram para revisar os aparelhos de ar. Trabalharam metade da manhã e o diagnóstico foi um defeito no compressor e processador central dos 3 aparelhos split. Resultado: sem possibilidades de conserto e tivemos que mudar de apartamento em definitivo. O brabo é fazer mudança no último dia do ano. Resolvemos almoçar primeiro e fazer a mudança de tarde. Gostamos tanto do El 23 que resolvemos voltar lá pra almoçar e aproveitar pra comprar mais algumas garrafas de vinho depois das aulas de enologia que tivemos nos últimos dias. O problema é que, como sempre, trouxemos mais bagagem do que realmente usamos e por causa disso não temos espaço suficiente pra levar vinho como gostaríamos. Paciencia, aprendizado pras próximas viagens.
Depois do almoço e da compra dos vinhos eu e o João fomos pro carro tentar montar o "quebra-cabeças" das caixas de vinhos e das bagagens. Feito isto, voltamos pro apartamento pra fazer as malas e mudarmos pro outro apartamento, dessa vez no primeiro andar do hotel, com as mesmas características do apartamento anterior, mas sem a vista da cidade. Trabalhamos um bocado. Com a festa de reveillon pela frente, fomos todos dormir um pouco pra estarmos inteiros pra festa.
A festa de ano novo no Hyatt foi um verdadeiro show. Havia um quarteto lírico que entreteu os convidados durante todo o jantar, inspirado em um baile de máscaras do carnaval veneziano.



Profissionais de primeiríssima linha, figurino irretocável. Começou o jantar, todo regado a Zuccardi Q, um dos melhores vinhos da Família Zuccardi. A salada de entrada estava excelente (salada de centollas - uma espécie de crustáceo do oceano pacífico) e o cordeiro patagônico servido como prato principal também estava impecável. O Zuccardi Q malbec acompanhou à altura.



Acabado o jantar distribuiram apetrechos de fantasias pra todo mundo e começou a festa. Fomos para o pátio do hotel onde estava servida a sobremesa e onde foi feita a contagem regressiva dos últimos segundos de 2008.


Seguiu-se o show de fogos e voltamos pro salão onde a festa rolou até quase 4 horas da matina.





Café no final da festa, voltamos a pé pro hotel (porque táxi nem pra remédio) e cama até o meio dia. Como o vinho era de primeira, nada de ressaca. Puro lucro!

Dia 11 - 30/12/2008

Penúltimo dia do ano. Nosso desejo era visitar mais uma vinícola para terminar o ano bem, com mais repertório (e uns goles de vinho a mais - hehe). Ligamos para a Catena Zapata, que parecia ser uma ótima opção. Mas o negócio lá é concorrido, e não conseguimos fazer reserva (só para o dia 05). O João tinha lido sobre outra vinícola que parecia interessante, a Tapiz, e foi pra lá que nós fomos, depois de fazer a reserva.
E, mais uma vez, acertamos o pulo. Nossa visita, marcada para as 13h, começou com um gostoso passeio de charrete pelos vinhedos da Tapiz.



Logo em seguida, começamos a visita propriamente dita, ciceroneados pela experiente Carolina Fuller, que nos explicou desde os cuidados que as parreiras recebem para atender às demandas dos diversos tipos de vinho até as diferenças dos processos produtivos. O mais bacana, nesta visita - se é que é possível escolher - foi que pudemos provar os vinhos durante o processo de fabricação, diretamente dos tonéis de aço inox. A paixão de Carolina pelo seu métier foi contagiante, e pudemos aprender muito com ela, cujas explicações acrescentaram bastante às outras visitas.


O prédio da vinícola também era super bonito. Depois da percorrer o galpão onde ficavam os tonéis, fizemos a degustação numa sala cujas paredes eram construídas com pedras arredondadas, contidas por uma grelha metálica. Isso ajudava a manter a umidade do ambiente, mas também era lindo! Uma das paredes, entretanto, era um grande pano de vidro, que deixava entrever a fábrica. Muito bacana!



Após a visita na Tapiz, seguimos para a olivícola Laur, conhecer o processo de fabricação do azeite de oliva. Esta é a mais antiga e tradicional olivícola de Mendoza, recomendada em diversos guias e blogs, mas não atendeu às nossas expetativas. Ainda mais depois de uma visita de alto nível técnico, como a da Tapiz, esta nos pareceu muitíssimo amadora. As guias tinham um textinho decorado e só. Além disso, as instalações do lugar eram bem precárias, faltou um cuidado para deixar o lugar em condições melhores para receber os visitantes. Mas valeu para vermos de perto as oliveiras (e seus pequenos frutos) e conhecermos o processo antigo para a produção do azeite.




Como não havíamos almoçado, resolvemos fazer um Happy Hour "vitaminado", que combinasse almoço e janta. Fomos, então, no bar de vinhos El 23, que fica dentro da Winery, uma loja de vinhos muuuuuito bacana, que fica numa casa lindíssima, de 1914, que foi construída para ser a residência do governador Emilio Civit. Comemos "tapas" (aperitivos) deliciosos, acompanhados de vinhos rosé e branco. Combinação perfeita...



Ao voltarmos para o nosso apê, fomos surpreendidos com o primeiro contratempo da viagem: o ar-condicionado simplesmente pifou... Mudamos, então, de apartamento, para dormir fresquinhos e nos recarregarmos para o último dia do ano.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Dia 10 - 29/12/2008

A segunda-feira foi dia de trabalho, pros argentinos e pra nós. Dia de fazer revisão no camburão (tudo certo, em perfeitas condições de seguir viagem) e de buscarmos os convites pra nossa noite de reveillon no Park Hyatt.
No final da tarde, depois de todas as tarefas cumpridas fomos visitar o Shopping Palmares, um open shopping cópia dos outlets americanos. Cópia mesmo em termos de arquitetura, mas com preços não tão convidativos.
À noite jantamos no Dom Mário, um restaurante tradicional de carnes em Mendoza, agora com uma filial dentro do Shopping Palmares. A carne, como sempre, de cortar com o garfo. Tomamos um Catena Los Alamos malbec e provamos um vinho que os argentinos nas mesas vizinhas estavam tomando, um malbec chamado Dona Paula. Muito bom, excelente relação custo-benefício. A sobremesa foi um sorvete de doce de leite da Freddo misturado com doce de leite que não dá nem pra descrever de tão bom.


Taxi de volta pro hotel e cama. Amanhã tem mais vinícola e olivícola.

Dia 9 - 28/12/2008

O dia começou preguiçoso. Acordamos cedo (8h), mas tomamos um café demorado, conversando e nos deliciando com a vista da cordilheira... Resultado: saímos de casa quase às 11h da manhã. Nosso primeiro passeio foi ao Cerro Gloria, que fica bem próximo ao parque San Martín. A subida foi um tanto íngreme, mas compensou: lá no alto, pudemos ver não só uma vista bonita da parte de trás da cidade como também um monumento majestoso ao exército andino, feito em 1914 por um escultor uruguaio.


De lá, seguimos para a bodega Ruca Malen, onde tínhamos agendado uma visita com almoço para as 13h. A vinícola é bacana, o prédio muito bonito, e os parreirais tinham um “plus” interessante: ao lado de cada fileira de parreiras havia uma roseira. A guia nos explicou que o que parecia ser apenas um adorno tinha uma função importante: as roseiras, por serem mais sensíveis aos insetos e pragas, têm o papel de sinalizar quando algo não vai bem. Perfeito: “forma + função”.

Após a visita, sentamos para almoçar num salão com amplas janelas e vista para um grande gramado, tendo em segundo plano os parrerais e, mais ao fundo, as cordilheiras com seus picos nevados.

Em seguida, começamos a degustação. O almoço era um menu fechado, com os pratos selecionados para harmonizar com os cinco vinhos que provamos. E uma das sobremesas também tinha vinho! Era uma granita de malbec com erva mate, uma mistura muito rica e interessante.

Claro que o doce de leite não poderia faltar, né? A outra sobremesa era uma mousse de doce de leite e queijo. Coisa de louco! Segundo o João, a melhor sobremesa da viagem. Jujoks, você iria amar esse doce, lembramos de você na hora...

Comida boa, acompanhada de bons vinhos, num cenário daqueles... estávamos no paraíso!

Depois, ainda fomos até Potrerillos, que era perto da vinícola (15 Km). Lugar belíssimo, João e eu ficamos passados com a beleza de lá. A água da represa era tão azul que pareciam ter jogado tinta lá dentro...

Terminamos o dia no hotel, com o João cozinhando para nós, tudo de bom! Agora é nos programarmos para aproveitar ao máximo os quatro dias que ainda nos restam em Mendoza...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Dia 8 - 27/12/2008

Hoje fizemos um passeio mais comprido: fomos ao município de San Rafael para conhecer o Canon del Atuel. Segundo a guia do escritório de informações turísticas, este cânion teve o mesmo processo de formação do Grand Canyon, no Colorado (EUA).

Um passeio fantástico, cheio de paisagens maravilhosas. Para que entendam o nosso entusiasmo, nada melhor do que algumas fotos, que nesse caso valem mesmo mais do que mil palavras:



O rio Atuel, que escavou o cânion, ainda está lá. Porém, bastante diminuído em volume, pois é represado em quatro pontos diferentes, que formam belíssimos lagos. Apesar de termos ficado a maior parte do tempo no carro, o dia foi bastante cansativo, afinal de contas foram mais de 600 Km rodados – mais de 50 deles em estrada de chão, e alguns trechos bastante estreitos.

À noite, ficamos no apê, e fiz um risotto de aspargos para nós, com medalhões de lomo (filé mignon) que estavam derretendo na boca.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Dia 7 - 26/12/2008

Iniciamos o dia definindo que vinícolas iriamos visitar. O Júnior telefonou para várias de nossa lista das recomendadas para saber quais estariam abertas. Programamos começar visitando a Bodega Rural, que é uma das mais antigas daqui e hoje abriga um Museu do Vinho. Encontramos uma construção bem preservada e aconchegante. Vimos várias peças feitas de couro usadas na colheita da uva e processo de criação do vinho.





Esta Bodega tem um diferencial: o visitante pode chegar bem perto dos vinhedos. E foi o que fizemos. Pudemos ver as uvas ainda bem pequenas.


Seguimos para a Bodega Família Zuccardi, uma gigante dos vinhos. Para mim e para o Júnior foi um "revival", pois já tinhamos visitado em 2003, porém esta visita mostrou como esta empresa cresceu pois tivemos uma recepção muito melhor. Chegamos quando um grupo acabara de fazer sua visita e iria iniciar a degustação. Provamos vinhos brancos e tintos, e a Winnie adorou o vinho Tardio (doce, especial para acompanhar sobremesas). Depois disso, Marcela, uma simpática guia nos acompanhou numa visita detalhada por toda a Bodega, explicando passo a passo o caminho da uva, do mosto e do produto final. E então fomos para a segunda degustação - que não fazia parte da visita padrão, mas tivemos esse privilégio. Ficamos bem impressionados com o Tempranillo. Saímos de lá quase cinco da tarde, até esquecemos de almoçar.


Depois de um descanso merecido, nos preparamos para conhecer o Restaurante 1884, um espaço requintado que fica numa vinícola desativada (recomendado em todos os guias).


Não saímos decepcionados, os meninos adoraram a carne, eu pedi um risoto de zuchini que estava ótimo, e a Winnie deu o golpe de misericórdia com a super sobremesa "frutas al horno con helado y crocantes", divina no gosto e na aparência.


Fomos dormir realizados com nossa primeira incursão ao mundo de Bacco.